Brasil é líder mundial na reciclagem de latas, diz OIT; setor emprega 500 mil. É algo a se celebrar?
O que é melhor, gerar infinitos empregos mal pagos para que recolham lixo e o separem, e ainda se vangloriar disso, ou conscientizar a população da importância da reciclagem, oferecer meios para tal e ainda incentivá-la?
Em São Paulo, há pouquíssimos incentivos a reciclagem. Se você quer reciclar, vai separar o seu lixo direitinho e levá-lo para passear de carro, procurando um posto de reciclagem (há em alguns supermercado Pão de Açúcar, na USP, e não faço idéia de nde mais), que não são muitos. Na Finlândia, apesar da reciclagem não ser obrigatória como em alguns países (como a Alemanha, onde podem até fiscalizar a sua casa para verificar a separação do lixo, se me lembro bem), há todo incentivo para tal. Cada prédio ou condomínio de casas possuí diversos latões para cada tipo de lixo: papel, papelão, vidro claro, vidro escuro, lixo biodegradável, e assim por diante. E mais: ainda pedem: papelão limpo, vidro limpo. Então não só se separa o lixo, como se dá uma limpadinha básica antes (eu sempre lavava e deixava secando a embalagem do leite ou os vidros de molhos prontos). Tá bom, nem todo mundo faz tudo isso, mas como a recilagem é algo fácil e ao alcance de todos (as latas estão logo ali no quintal!), é muito mais fácil de acontecer. Afinal, você não sentiria um pinguinho de peso na consciência de jogar um saco de 20 litros de lixo num latão único, sabendo que lá dentro tem vidro e papel e que a sua volta há lixos destinados a isso?
Eu gostaria de reciclar meu lixo. Admito que não o faço aqui, apesar de tê-lo feito quando morei na Alemanha e na Finlândia. Não sei nem por onde começar aqui em Sampa, e admito novamente que queria que fosse algo fácil. Afinal, nem eu nem ninguém quer levar o lixo no carro para passear! E nem louvar as glórias de sermos o maior país em reciclagem de alumínio, graças a 170 mil empregos de pobres e semi-famintos catadores de latinhas.

