Os políticos brasileiros provocam a cada dia que passa mais nojo na minha pessoa. Incredulidade. O último escândalo é o das passagens aéreas.


O senador Papaleo acha baixíssimo o salário líquido de 12 mil reais de um senador (fora os benefícios né?). Coitado, imagine que ele adoeça em Brasília e tenha que pagar a passagem da família do próprio bolso…. Iria falir! Pobrezinho.
Já o sen. Almeida Lima, acha que a regra era clara sim: “gaste sua cota como bem entender, sem prestar contas”. E o pobre senador velhinho Epitácio Cafeteira? Reclama que daqui a pouco receberão vale-transporte. Algum problema nisso? Ora, não seria a passagem (com destino ao estado de origem, sem contar com as viagens a outros locais por trabalho) um tipo de vale-transporte?

Cada vez mais me convenço que o Congresso deveriam se espelhar em corporações na gestão de seus recursos. A coisa seria bem diferente! Na minha empresa é bastante simples: viajantes no exterior tem direito de regresso a cada 15 dias. Caso escolham não regressar, podem usar sua “cota” (no linguajar parlamentar) para levar alguém de sua escolha ao destino. Se não usar, perdeu, não se acumula. Também tem direito a uma quantia determinada por dia para alimentação (TODAS justificadas com nota) e uma fixa para despesas eventuais (como lavanderia, táxi, telefone, etc) que não exige justificativa. Na Finlândia, o governo estabelece quanto as empresas devem dar aos funcionários diariamente quando viajam (päiväraha, e essa definição é por país, levando em conta o custo de vida de cada país. Não incluem hospedagem nem passagens, mas todo resto deve ser pago com esse dinheiro.

Tem que se tomar muito cuidado para que um benefício não se transforme em um direito adquirido. Não é porque se podia gastar X mil reais por mês com passagens que se DEVIA gastar esse valor. E esse benefício nunca pode ser considerado como parte do salário.

A descrença com nossos políticos é grande demais. Dá uma tristeza, uma sensação de que NUNCA sairemos desse burado. Jamais. Terceiro mundo para sempre.